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Wednesday, 12 March 2014

Mais de 800 casas ilegais vão ser demolidas na orla costeira este ano

O ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território anunciou que vão ser demolidas este ano mais de 800 instalações ilegais na orla costeira. Está prevista uma verba de 16,6 milhões de euros para esse processo. 

Na Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local, esta quarta-feira, Jorge Moreira da Silva informou que durante 2014 vão ser demolidas 835 instalações ilegais, que foram identificadas ao longo do litoral, e que já foram aprovados os planos para aquelas operações. 

O governante indicou que os primeiros trabalhos vão decorrer em S. Bartolomeu do Mar (Esposende), com a demolição de 27 habitações, "em Maio ou em Junho", depois de realizados os realojamentos necessários. 

O ministro acrescentou que se seguirão as demolições de segundas habitações, sublinhando que as destruições de casas próprias só avançam depois dos realojamentos das populações.

Troca de árbitro foi "escrever direito por linhas tortas

José Leirós recebeu com a grado a notícia da substituição do árbitro do clássico. Na opinião do ex-árbitro e actual comentador de arbitragem, o Conselho Nacional de Arbitragem "emendou a mão". Numa entrevista a Bola Branca, José Leirós interpreta a troca como "uma óptima notícia. A emenda foi melhor que o soneto. Houve a coragem de corrigir uma nomeação que não era a mais correcta porque Pedro Proença é o melhor do mundo e deveria arbitrar este jogo", refere o comantador.

José Leirós defendwe que a nomeação de Olegário Benquerença tinha sido uma decisão errada do Conselho Nacional de Arbitragem. "Precipitou-se ao nomear Olegário. O normal é perguntar-se se o árbitro está em condições. Se tem algum problema físico ou familiar. Mas não vamos colocar nada em causa. Apenas dizer que foi uma escolha precipitada que levou o Conselho Nacional de Arbitragem a escrever direito por linhas tortas", referiu.
Pedro Proença é o melhor árbitro português da actualidade e estará no Mundial. Apitou a final do europeu de 2012 e a final da Liga dos Campeões também há dois anos. Em 2012 foi considerado o melhor árbitro do Mundo pela Federação de História e Estatística do Futebol. Em 2013 ficou em 7º no mundo. José Leirós considera que é a nomeação certa para o Sporting-Porto do próximo domingo. "É o árbitro indicado. Os dois clubes já não irão preocupar-se com o árbitro. Apenas em jogar futebol. O jogo terá forte mediatismo também a nível internacional e Pedro Proença vai fazer tudo para demonstrar que não foi por acaso que dirigiu as finais que dirigiu as finais do Europeu e Champions", acrescentou o comentador de arbitragem.


José Leirós vai estar em directo a comentar os casos do Sporting-FC Porto, domingo naBola Branca Especial. O clássico está marcado para as 19h15 com relato na Renascença e acompanhamento em rr.sapo.pt.
 

Morreu D. José Policarpo

Pensador e académico com vasta obra publicada, D. José Policarpo morreu esta quarta-feira aos 78 anos. Foi Cardeal Patriarca de Lisboa durante 15 anos.

O Patriarca D. Manuel Clemente diz que “mantém-se viva a feliz memória do seu trabalho e do muito que a Igreja de Lisboa e a Igreja em Portugal deve à sua generosidade e à sua lucidez, à sua grande bondade com que exerceu o seu Ministério.

As exéquias serão na próxima sexta-feira pelas 16 horas na Sé de Lisboa, seguindo depois para São Vicente de Fora, o panteão dos Patriarcas.
O sonho de ser o Padre da aldeia
D. José Policarpo cresceu no seio de uma família numerosa, com oito irmãos, e descobriu a vocação no dia em que foi crismado.
“A recordação mais antiga que tenho do desejo de ir para o seminário é o do dia do meu Crisma”, recordava D. José Policarpo numa entrevista concedida ao jornal “Voz da Verdade”, em Outubro de 2011.
Tinha como sonho ser o Padre da aldeia, mas a Igreja chamou-o sempre para outras funções.
Foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa a 26 de Maio de 1978, recebeu a Ordenação Episcopal a 29 de Junho do mesmo ano e, em Março de 1997, tornou-se arcebispo coadjutor do Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, a quem sucedeu como Patriarca a 24 de Março de 1998.
Natural da pequena aldeia do Pego, na freguesia de Alvorninha, concelho das Caldas da Rainha, Policarpo cresceu no seio de “uma família cristã muito piedosa”, como o próprio refere, e acabaria por entrar para o seminário de Santarém.
Passou, depois, pelo seminário de Almada, um tempo que recorda com saudade e boa disposição: “Tive dois cargos no seminário de Almada. Um deles era ser o encarregado da loja onde a rapaziada comprava as coisas. Depois, fui encarregado do laboratório. Tinha a chave e ia para o laboratório sempre que quisesse! Uma vez, ia lá ficando, porque me pus a fazer uma experiência por minha conta e risco e apanhei um choque enorme”.
Formou-se em Filosofia e Teologia, no seminário maior do Cristo-Rei, dos Olivais, e passou por Roma e pela Pontifícia Universidade Gregoriana, antes de regressar a Portugal, para ocupar vários cargos na Universidade Católica, desde docente a director da Faculdade de Teologia e, até, a reitor da Universidade, tendo deixado o cargo em 1996.
"Temos de corrigir a rota" Enquanto Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo nunca deixou de ter um olhar crítico para com o país e a sociedade que o rodeava.
“Estamos num tempo em que isto já não vai lá com lutas sectoriais e soluções parciais”, afirmou em Dezembro de 2009. “Estamos num tempo em que o grande desafio é de correcção de rota em termos de civilização”, acrescentou.
A preocupação com as famílias e a justiça social também foi sempre uma constante. Na abertura de uma conferência episcopal em Fátima, em 2011, afirmou: “A solidariedade exige a equidade dos sacrifícios que se pedem, dos contributos que se esperam de cada pessoa ou de cada grupo social”.
Os problemas que a própria Igreja atravessou nos últimos anos, como os casos de pedofilia, também não foram indiferentes ao seu discurso e foram abordados com frontalidade.
Durante o seu mandato, a sociedade portuguesa passou por profundas transformações e, por várias ocasiões, Igreja e Patriarca opuseram-se às decisões políticas. São exemplos a liberalização do aborto e aprovação do casamento homossexual.
Momentos polémicos Foram vários os momentos polémicos de D. José Policarpo. Uma das suas declarações irritou, em particular, a comunidade muçulmana.
“Cautela com os amores. Pensem duas vezes antes de casar com um muçulmano. Pensem muito seriamente. É meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam”, afirmou em Janeiro de 2009, num debate ocorrido na Figueira da Foz.
Em Outubro de 2012, em pleno clima de contestação social no país, criticou os protestos, afirmando que não se resolve nada protestando nas ruas. “Estes problemas foram criados ao longo e muito tempo, por nós e por quem nos governou”, defendeu.

Dois Papas em 15 anos Enquanto Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo recebeu duas visitas papais. João Paulo II veio a Portugal no ano 2000 e, dez anos depois, foi a vez de Bento XVI.
Enquanto cardeal participou no conclave que elegeu Bento XVI, em 2005, e, em 2013, na eleição do Papa Francisco, que tinha sido feito cardeal por João Paulo II no mesmo consistório que D. José Policarpo (a 21 de Janeiro de 2001).
Durante o seu mandato, Lisboa acolheu também, em 2005, o Congresso Internacional para a Nova Evangelização, que levou milhares de pessoas às ruas da cidade. Uma oportunidade para debater os novos desafios lançados à Igreja, mas também o que é necessário mudar para que se adapte aos tempos actuais.
A vontade de estar perto das pessoas levou o Patriarcado de Lisboa a abrir-se às novas tecnologias e, em 2011, foi lançado um novo portal na Internet.
No mesmo ano, D. José Policarpo assinalou 50 anos de sacerdócio. Uma das várias iniciativas que marcou a data foi a publicação de um livro sobre os seus pensamentos. “Atraídos pelo infinito” conta com textos de D. Manuel Clemente, que agora lhe sucede como Patriarca de Lisboa.

Pedido de resignação Por essa altura, já o Cardeal Patriarca tinha apresentado a resignação ao Papa, por ter atingido o limite de idade de 75 anos. Fê-lo oficialmente numa carta dirigida a Bento XVI a 17 de Fevereiro, mas Bento XVI pediu-lhe que prolongasse o seu ministério “por mais dois anos”.
D. José Policarpo acabaria assim por ficar até à resignação do próprio Bento XVI – notícia que, confessou na altura aos microfones da Renascença, também o apanhou de surpresa.
Foi já depois da eleição do Papa Francisco que a sua resignação foi aceite, a 18 de Maio de 2013. O Papa nomeou para o cargo de patriarca D. Manuel Clemente, até à data bispo do Porto.

Terminada a missão como Patriarca de Lisboa, fica a memória de um dos vários convites à acção que fez durante o mandato. “Convido-vos a todos, a partir do nosso bairro, a sermos verdadeiramente cidadãos activos deste mundo novo que queremos construir”, afirmou na conferência “Portugal, o país que queremos ser”, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.

Tuesday, 11 March 2014

Portuguesa no centro de debate sobre imigração no Reino Unido

Uma empregada de limpeza portuguesa foi arrastada involuntariamente para um debate sobre o uso de mão de obra estrangeira no Reino Unido, após um discurso crítico do secretário de Estado da Imigração, James Brokenshire.    
  
O secretário de Estado das Finanças, Danny Alexander, confessou no sábado, numa entrevista à rádio BBC 4, empregar uma portuguesa ocasionalmente para a sua residência: "Chegámos à situação infeliz em que temos de responder a este tipo de perguntas, porque são baseadas na suposição de que uma empresa ou indivíduo que empregue alguém de outro país europeu está a fazer algo errado".  
  
O político liberal democrata foi confrontado após um colega do governo de coligação com o partido Conservador, o secretário de Estado da Imigração, James Brokenshire, ter criticado patrões e a classe média do seu país por contribuir para o desemprego dos britânicos.   
  
"Há muito tempo que a imigração beneficia os empregadores que querem um abastecimento de mão de obra barata ou a elite metropolitana abastada que quer empregados e serviços baratos - mas não [beneficia] as pessoas normais e trabalhadores deste país", afirmou o conservador num discurso na quinta-feira.   
  
As afirmações fizeram ricochete, porque imediatamente vários dos principais membros do governo foram questionados para ser se sobre encaixavam neste retrato: a ministra do Interior, Theresa May, admitiu usar uma empregada de limpeza brasileira naturalizada britânica e o vice primeiro-ministro, Nick Clegg, uma ajudante doméstica belga.   
  
Já o primeiro-ministro, David Cameron, disse usar uma ama nepalesa recentemente naturalizada britânica, cujo processo o seu gabinete garantiu não ter influenciado pelo chefe de governo.
  
O incidente foi considerado um "tiro no pé" por vários comentadores na imprensa britânica, incluindo a revista "The Week", que afirma no seu site que discurso resultou numa espécie de novo "McCartismo", uma referência à caça aos comunistas nos Estados Unidos dos anos 1950.   
  
Já o Instituto de Directores, que representa os directores de empresas britânicas, considerou "fraco e patético" o discurso sobre a imigração do novo secretário de Estado, alertando que a economia britânicas precisa de trabalhadores imigrantes.   
  
"Este discurso parece ser mais sobre posicionamento político e menos sobre o que é bom para o país", afirmou num comunicado.   
  
Números oficiais das inscrições na Segurança Social divulgados no final de Fevereiro indicaram que mais de 30 mil portugueses chegaram ao Reino Unido em 2013 para trabalhar, um aumento de quase 50% face ao ano anterior

Sunday, 9 March 2014

Tribunal diz que chamar “palhaços” a autarcas não é crime

O Tribunal da Relação de Guimarães ilibou um homem que tinha sido condenado na primeira instância por um crime de injúria agravado, por ter chamado "palhaços" aos membros da Junta de Freguesia de Silvares, daquele concelho. 

Na primeira instância, o arguido, presidente do Centro Social de Silvares, tinha sido condenado a 90 dias de multa, à razão diária de 6,20 euros. 

O tribunal deu como provado que, no dia dos factos, houve um conflito entre a Junta e o Centro Social, no decorrer do qual o arguido, dirigindo-se ao presidente da Junta, proferiu a expressão "vocês são uns palhaços, não sei como o povo vos escolheu". 

O arguido recorreu e a Relação, por acórdão que a agência Lusa consultou, absolveu-o, considerando que aquela expressão "não excede a grosseria nem a falta de educação", tratando-se "de um mero juízo de valor que não tem aptidão para atingir a honra e consideração do visado". 

O acórdão refere ainda que palavra "palhaço" é polissémica e, quando isso acontece, o tribunal "não tem de acolher o significado atribuído pelo visado tão-só por se ter considerado ofendido". 

Diz ainda que "é próprio da vida em sociedade haver alguma conflitualidade entre as pessoas", sendo "normal" que a animosidade resultante dessas situações tenha expressão ao nível da linguagem. 

"Uma pessoa que se sente incomodada por outra pode compreensivelmente manifestar o seu descontentamento através de palavras azedas, acintosas ou agressivas. E o Direito não pode intervir sempre que a linguagem utilizada incomoda ou fere susceptibilidades do visado", lê-se ainda no acórdão. "Se assim não fosse, a vida em sociedade seria impossível. E o Direito seria fonte de conflitos, em vez de garantir a paz social, que é a sua função", remata. 

Os factos registaram-se a 21 de Novembro de 2011, quando a Junta de Freguesia de Silvares decidiu mudar a fechadura das instalações da autarquia, para impedir que elas continuassem a ser utilizadas pelo Centro Social. A situação motivou a "revolta" de um grupo de populares, obrigando à intervenção da GNR. 

Na primeira instância, tinham sido condenados mais dois populares, pelos crimes de injúria e de ameaça cometidos sobre o presidente e a secretária da Junta de Freguesia, que também recorreram, mas que viram as penas confirmadas pela Relação. Um "apanhou" 175 dias de multa à razão diária de 6,20 euros e o outro, 140 dias de multa, à razão diária de 6,70 euros. 

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